Mentalmente feliz

Atualizado: 4 de Fev de 2019



Seria a felicidade então uma determinação do cérebro que devidamente educado e condicionado alcança um grau de compreensão existencial sobre o mundo que permite seu feliz proprietário declarar: "Sou um cara feliz!"


Sim claro! Isso é possível e as coisas acontecem assim mesmo. Isso se assemelha ao que no coaching ontológico é chamado de "estado de ânimo", e partir para ação neste estado, costuma dar ótimos resultados. O problema é que o cérebro é rápido e imediato, e logo após essa declaração ele mesmo, o cérebro, pergunta: E agora que sou feliz o que vai acontecer?


Aquilo que era felicidade sequer teve tempo de ser desfrutado e a ansiedade, a inquietude se apodera novamente, como um cachorro jovem pulando ao redor do dono querendo que a bolinha seja arremessada incansavelmente até a fadiga.


Claro que a felicidade engloba muito mais que um agregado de sinapses. O cérebro promove uma leitura do mundo de tal forma que nos permite vivenciar aquilo que chamamos felicidade. Portanto, felicidade não está vinculada a um fim, ou mesmo a um momento, mas a um processo interno, individual que experimentamos muito além do conhecimento, muito além das relações com afazeres ou mesmo com aquilo que temos.


A felicidade é uma condição que se expressa no ser, em quem somos e não no fazer ou no ter. O cérebro então passa a ser o "cara" incumbido de nos conectar a esta condição chamada felicidade, criando uma harmonia entre aquilo que se passa lá fora de nós, em relação com aquilo que se passa dentro de cada um de nós. Feito isso ele diz: É felicidade que você quer? É isso que buscamos então deixa comigo! Ele então nos orienta freneticamente em busca dessa chamada felicidade, seja na figura de uma casa, o poder de um emprego, no status de um carro, na viagem das drogas ou onde quer que eu o ensine a promover a mim essa conexão.


Em pouco tempo o cérebro toma as rédeas e a mente afunila a existência a estes vínculos. Torna-mo-nos vítimas de nós mesmos, das armadilhas da mente e do domínio do cérebro. Cada vez mais se torna difícil sair deste labirinto pois o cérebro nos conta que não há mundo fora disso!


O cérebro é esse "filtro existencial" alimentado pelos 5 sentidos e portanto o conceito de felicidade, assim como qualquer outro conceito que o cérebro deduz, está enclausurado entre "cinco paredes", prisioneiros de um emaranhado de informações e conhecimentos que chamamos mente.


A mente conhece o conceito de felicidade, mas não experiencia isso. A mente não sabe ao certo distinguir a realidade, pois ela cria a própria "matrix" da realidade que nos faz acreditar naquilo que chamamos de realidade. A mente não é viva, talvez seja uma das partes mais mortas de cada um de nós. Para ela apenas existem informações passadas e projeções futuras sobre esse passado, o agora, para ela não existe. Como poderia estar vivo algo que não existe agora?


O agora é o único momento possível para ação, portanto a vida se expressa no presente e quanto mais nos distanciamos do presente, mais nos distanciamos da vida, mais histórias aparecem remontando um passado que não existe ou projetando um futuro que ainda não veio, este caminho fragmentado de explicações é conhecido como o caminho do fim e é tecido pela mente.


Quando experimentamos a sensação de felicidade erguida no cérebro, compreendida pela mente, significa que de alguma maneira estamos projetando a própria existência em algo do passado ou do futuro. Isso é legítimo, porém ainda insuficiente para declarar plena felicidade. Isso ainda é trilhar o chamado caminho da morte.


A sugestão aqui é que o caminho da felicidade plena esteja em diminuir estes vínculos de felicidade que a mente cria, condicionando-a a modelos pré-existentes. É comum observarmos situações em que nos damos conta que apenas quando determinada coisa acontecer a felicidade será alcançada. Este pensamento nos torna reféns de algo, seja uma casa, um carro, um cargo, poder, status. Aquilo que desejamos se torna maior que nós mesmos, aprisionando a própria existência. Esta é uma prisão criada pela mente.


Assim como o corpo expele constantemente aquilo que não é produtivo, renova as células constantemente, é importante também que aquilo que é morto seja eliminado, e na mente armazenamos muito lixo, muitos pensamentos tóxicos. Desconectar a mente das emoções, dos padrões e vibrações (sim, pensamentos são impulsos elétricos) que nos remetem sempre ao mesmo "lugar" do passado. Sair desta prisão mental é exercitar o desapego e a tolerância. Diminuir o fluxo de pensamentos é diminuir o frenesi das engenhosidades da mente. Aquilo que no taoismo é chamado de não ação, pois não deve ser feito com a mente, deve ser vivido na quietude do coração, silenciando o amigo cérebro.


Veja como crianças são tolerantes e facilmente desapegadas de ideias, mesmo aquelas que choram para ir ao parquinho, em breve não mais se lembrarão disso e estarão pensando no sorvete. Crianças brincam com adultos, crianças, cachorros, e mesmo quando perdem a paciência permanecem tolerantes para uma nova experiência em breve, sem rancor, sem explicações, apenas sendo quem elas são.


Todos nós já fomos crianças um dia, todos nós já fomos mais tolerantes e menos apegados as coisas e ideias. Onde e quando aprendemos a ser diferentes? Quando a mente começou a tomar conta? Em que momento ela supostamente nos fez acreditar naquilo que somos?. Quando ela, a mente, nos contou histórias de felicidade associadas a coisas e ideias, deslocamos a felicidade de desfrutar a companhia de amigos, a leveza das brincadeiras para ocupar o lugar da felicidade séria e objetiva, linear e momentânea instigada pelo cérebro.


Colocar o cérebro para trabalhar em favor próprio não significa manipula-lo em busca de melhores resultados para alcançar a felicidade que ele mesmo delimita. Devemos nos tornar conscientes que o cérebro e a mente são parte fundamental de quem somos, e não o contrário. Existimos muito além da razão, além do explicável. Existimos mais além do inexplicável, daquilo que sequer ainda existe.


O cérebro é apenas parte dessa nossa imensidão existencial que nos permite vislumbrar alguma fagulha de compreensão acerca do mundo. Para voltarmos a ser crianças, minimizar as armadilhas da mente, aumentar a tolerância o caminho sugerido aqui é o da meditação. Este caminho nos permite jogar fora todo o lixo existencial criado pela mente e nos oferece um vislumbre, uma possibilidade de harmonizar a felicidade como uma realização interna de plenitude. Neste estado de plenitude, podemos ser felizes de várias formas em diversas circunstâncias, sejam festas, promoções de trabalho, aquisições valiosas ou simplesmente na tranquilidade de um por do sol a beira mar.


Seja lá como for, movimentar a felicidade pensada para a felicidade sentida é a arte de buscar a plenitude naquilo que nossas mentes, se acostumaram a chamar de felicidade.

Para conhecer melhor e trilhar o caminho do conhecimento interno convidamos a visitar o site da Fluirh. Seu comentário aqui logo abaixo é muito bem vindo!


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